Resenha do livro Finlândia por Gracinha Barbosa
Hoje responderei ao Face no que estou pensando. Bem, no livro que acabei de ler FINLANDIA, da autora Scarlet Rose.
Ainda na minha mocidade entrei no modismo da literatura tcheca. Recebi, de presente, de um médico amigo, lá de Berimbau, o livro A Insustentável Leveza do Ser, que preferi denominar A Insuportavel Leveza do Ser. Bem, não me dou por vencida com obstáculos, especialmente os literários, e de Kundera ainda fui de Risíveis Amores e A Brincadeira. Bem, ele não conseguiu me atrair fui em frente, ainda em terreno tcheco: encontrei aquele cara de cabelinho de gomalina, cara de paraibano, chamado Franz Kafka e comecei com A Colonia Penal, depois O Processo, Carta ao Pai, até chegar ao primeiro alumbramento tcheco, A Metamorfose e viver com Gregor o que lhe reservara o dia seguinte a uma noite de sonos intranquilos, a vida, o modus vivendi, e constatar que estava diante de um escritor gênio, gênio em qualquer acepção da palavra.
Não sou especialista em literatura, embora leitora voraz, e não dar-me-ia ao luxo de vir falar sobre a transformação de um homem num inseto monstruoso, que passa a questionar, de forma indireta, claro, com seu metamorfoseamento, o nosso viver social, as nossas relações com os nossos semelhanes, com as nossas instituições, e ante uma certa impotência em sabermos se devemos matar uma barata, por exemplo, se devemos mata-la, se a devemos deixar passar, de forma indiferente, ou com medo, se não a devemos matar, se não a matamos por que (separado mesmo) ela nos provoca asco, pelo barulho que advem do abatimento de um inseto, que sempre nos são repelentes, enfim, porque a barata pode ser a vida que pode nos deixar em dilemas, ou impotências, com incertezas no agir, seja de forma positiva, ou negativamente.
Adoro usar o facebook para declarar, sem compromissos, o que gosto, o que penso, tudo de forma respeitosa, daí porque tenho um instrumento para continuar o meu raciocínio. Eu era muito jovem ao ler A Metamorfose, mas fui tomada de amor, apaixonei-me por aquele tcheco, corroborando para o fato, o inicio dos anos setenta, do reino gótico, das roupas pretas, das maquilagens escuras, dos crucifixos enormes no pescoço, de símbolos de paz e amor, de bandas de rock pauleira, enfim, de uma sede de querer mudar conceitos arraigados da sociedade, de viver a la On the Road, na moda de Kerouack.
Ainda vivíamos a dúvida: metamorforsear ou partir para a liberdade suprema?
A duvida foi persistindo por anos, sem que ate hoje eu tenha encontrado a resposta, especialmente porque a literatura se renova, pois ela evolui com o tempo, com o andar da sociedade. Os tempos literários são de obras primas como Fabian e o Caos, Morte Subita, A Vegetariana. Não se pode, de forma consciente, acreditar que se pode viver literariamente apenas de ventos uivantes ou que as mulheres ainda acreditem ou se sujeitem aquelas 24 horas de que nos falava Stefan Zweig.
Sabemos que, em termos nacionais, Machado de Assis sempre metamorfoseou; Graciliano Ramos, em Vidas Secas, ao criar a cadela Baleia, também metamorfoseou, porque esta deixa de ser um animal para ser o principal personagem do livro; óbvio que diversos autores insistem no tema, mas nada de novo no front, até que descobri um livrinho pequeno, gostoso de pegar, com excelente espaçamento de letras, capa lindíssima, tipo Allan Poe, chamado FINLANDIA, de uma autora chamada Scarlet Rose.
Em plena Saraiva comecei a folhear o livro e o mal voltou a acontecer: Fui tomada pelo livro, não eu que peguei o livro, ele me pegou e tive que comprar e vir pra casa, para ver aquele belo exemplo literário, um livro belíssimo que mistura elementos novos, traz uma literatura moderna, com arquétipos riquíssimos, denotando personagens com psicológicos reais, nada trazendo daquela historinha de amor agua com açúcar, por exemplo do Como Eu Era Antes de Você.
Em Finlandia tem Petra que provoca amores, tem um sofrido Alexis, tem sons de kantele, tem corvos correios e falantes, tem um tal Senhor Sombra, por quem nos apaixonamos, tem o dark, tem o gótico, tem muito metamorfoseamento, algo que pode ser lido por adolescentes, jovense adultos. É um livro para leitura etária atemporal, com passagens lindas, com afirmativas violentas, como a de que o amor não existe, o que existe é o costume, com conhecimentos sobre um país que não gera curiosidades nas pessoas, mas que tem coisas belíssimas.
Eu li FINLANDIA e adorei poder lembrar da musica de Sibelius e pesquisar sobre a Finlandia, pesquisando tanto, acabando por descobrir que no RJ há uma cidadezinha onde resiste uma colônia finlandesa, com hábitos e costumes natais- Penedo- e o mais engraçado de tudo, que a autora, Scarlet Rose, dona do Senhor Sombra, de Ville e tantos outros, é baiana da gema e do azeite de dendê, que literariamente mostra que só a baiana sabe rodar a baiana.
Fica aqui uma dica literária: FINLANDIA. Vale a pena fugir da leitura de rotina. Sem falar que que há personagens donos de uma bondade extrema, mas outros donos de uma maldade infinita. Vale a pena ler, poxa, porque o mundo é feito de homens, de idéias e de livros, parafraseando, ao meu modo, o grande Lobato.
Scarlet Rose
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
segunda-feira, 25 de abril de 2016
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
sábado, 19 de setembro de 2015
Harpa
Harpa
Por Scarlet Rose
Inverno, 2015
Uma canção forte e passional invadiu meus ouvidos.
E o corpo, que antes jazia repousado sobre os escombros do que restou no fim, despertou.
Agora, sou como a harpa, sobre a qual tuas mãos hábeis deslizam emitindo
sons sagrados e profanos.
Sons produzidos pelas cordas que se retesam e
relaxam na ânsia de reproduzir vibrações de esferas celestiais.
A língua traduz os desejos do amor e da dor.
Embala meus pensamentos que, de tão serenos, se entorpecem
e adormecem ao sabor da tua voz.
Cérebro, alma e coração.
Juntos, em uma única freqüência.
Contínua e arrebatadora!
O corpo dele se banha no suor que escorre em brilhantes e luxuriosas gotas.
O rito se inicia. E ele, o deus-música, se anuncia ao mundo.
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Não ser importante
Não ser importante...
São exatamente
03:03 da madrugada, estou certa disso...ainda não dormi. Por coincidência hoje
eu comprei um livro da Marta Medeiros intitulado Noite em Claro, e comecei a
ler porque sua lembrança me roubou o sono.
Andei refletindo
sobre o que é ser importante para alguém enquanto estava deitada na cama, no
escuro, pensando em você. Mas julguei a atitude de estar deitada pouco
respeitosa e decidi sentar em minha cadeira azul quebrada e lhe escrever.
Esse é um entre
tantos textos que pari em meio à escuridão e à solidão que se faz presente como
um ente querido e morto que insiste em repousar ao pé do leito.
Na penumbra
dialoguei com ele em silêncio:
__Por favor, me
deixe em paz! Você está morto! Por que me assombra?
Recordo-me que
na infância o escuro era algo assustador. Pois, quando somos pequenos, sabemos
pouco sobre o escuro e a vida. E talvez o escuro seja representado por tudo o
que eu não sei sobre você.
Pausa (preciso
de um café)
Curiosamente me
sinto mais calma. É um misto de gozo psicológico com excesso de lucidez. Gostaria
de amar você bem mais que a mim mesmo. Mas não posso. A dimensão do que sou e
da minha impotência habita a mesma casa do meu coração.
Estou no
interior da casa, ainda no escuro. Vejo-me sorvendo este café requentado, porém
saboroso. Enquanto sua imagem se projeta em minha tela mental. Então novamente
me questiono:
Será que eu o amo?
O que é ser importante para você?
Pausa (tomo mais
um gole de café, agora frio)
E se eu disser a
você que eu amo a impossibilidade? Pois ela me faz querer seus braços
estendidos e entregues quando você adormece como um anjo em minha cama.
Mas são muitas
camas e muitas moradas... Sua mente nunca está comigo, o seu corpo sim!
E novamente eu o
amo, por ser etéreo e impossível.
Amo o prazer que
me dá ao escrever esse texto cheio de sua presença e sua ausência.
Por fim,
descanse em paz!
Autor: Scarlet Rose
*Texto escrito em 16.05.14
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