sábado, 19 de setembro de 2015

Harpa

  Harpa
 Por Scarlet Rose
 Inverno, 2015
 
 Uma canção forte e passional invadiu meus ouvidos.
 E o corpo, que antes jazia repousado sobre os escombros do que restou no fim, despertou.
 Agora, sou como a harpa, sobre a qual tuas mãos hábeis deslizam emitindo
 sons sagrados e profanos.
 Sons produzidos pelas cordas que se retesam e 
 relaxam na ânsia de reproduzir vibrações de esferas celestiais.
 A língua traduz os desejos do amor e da dor.
 Embala meus pensamentos que, de tão serenos, se entorpecem
 e adormecem ao sabor da tua voz.
 Cérebro, alma e coração.
 Juntos, em uma única freqüência.
 Contínua e arrebatadora!
 O corpo dele se banha no suor que escorre em brilhantes e luxuriosas gotas.
 O rito se inicia. E ele, o deus-música, se anuncia ao mundo.
    

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Não ser importante




Não ser importante...

São exatamente 03:03 da madrugada, estou certa disso...ainda não dormi. Por coincidência hoje eu comprei um livro da Marta Medeiros intitulado Noite em Claro, e comecei a ler porque sua lembrança me roubou o sono.
Andei refletindo sobre o que é ser importante para alguém enquanto estava deitada na cama, no escuro, pensando em você. Mas julguei a atitude de estar deitada pouco respeitosa e decidi sentar em minha cadeira azul quebrada e lhe escrever.
Esse é um entre tantos textos que pari em meio à escuridão e à solidão que se faz presente como um ente querido e morto que insiste em repousar ao pé do leito.
Na penumbra dialoguei com ele em silêncio:
__Por favor, me deixe em paz! Você está morto! Por que me assombra?

Recordo-me que na infância o escuro era algo assustador. Pois, quando somos pequenos, sabemos pouco sobre o escuro e a vida. E talvez o escuro seja representado por tudo o que eu não sei sobre você.
Pausa (preciso de um café)


Curiosamente me sinto mais calma. É um misto de gozo psicológico com excesso de lucidez. Gostaria de amar você bem mais que a mim mesmo. Mas não posso. A dimensão do que sou e da minha impotência habita a mesma casa do meu coração.
Estou no interior da casa, ainda no escuro. Vejo-me sorvendo este café requentado, porém saboroso. Enquanto sua imagem se projeta em minha tela mental. Então novamente me questiono:

Será que eu o amo?
O que é ser importante para você?
Pausa (tomo mais um gole de café, agora frio)
E se eu disser a você que eu amo a impossibilidade? Pois ela me faz querer seus braços estendidos e entregues quando você adormece como um anjo em minha cama.

Mas são muitas camas e muitas moradas... Sua mente nunca está comigo, o seu corpo sim!
E novamente eu o amo, por ser etéreo e impossível.
Amo o prazer que me dá ao escrever esse texto cheio de sua presença e sua ausência.
Por fim, descanse em paz!

 Autor: Scarlet Rose
*Texto escrito em 16.05.14